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Dia 15 de outubro, dia de Santa Teresa de Ávila

[…] chegaram a mim notícias sobre os danos e estragos causados na França pelos luteranos, e sobre o grande crescimento que essa seita experimentava. Isso me deixou muito pesarosa, e eu, como se pudesse fazer alguma coisa ou tivesse alguma importância, chorava com o Senhor e Lhe suplicava que corrigisse tanto mal. Eu tinha a impressão de que daria mil vidas para salvar uma só alma das muitas que ali se perdiam. E, vendo-me mulher, imperfeita e impossibilidade de trabalhar como gostaria para servir ao Senhor, fui tomada pela ânsia, que ainda está comigo, tendo Deus tantos inimigos e tão poucos amigos, de que estes fossem bons.

Decidi-me então a fazer o pouco que posso: seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição e ver que essas poucas irmãs que aqui estão fizessem o mesmo. Depositei a minha confiança na grande bondade do Senhor, que nunca deixa de ajudar a quem se determina, por Ele, a abandonar tudo. Eu pensava que, sendo elas como eu as via em meus desejos, os meus defeitos não teriam força em meio às suas virtudes, e eu poderia contentar o Senhor em alguma coisa.

Assim, ocupadas todas em orar pelos que são defensores da Igreja, pregadores e letrados que a sustentam, ajudaríamos no que pudéssemos a este Senhor meu, tão atribulado por aqueles a quem fez tanto bem. Pode-se dizer que esses traidores querem pregá-Lo na cruz outra vez, privando-O de onde reclinar a cabeça.

Ó Redentor meu! Meu coração não pode chegar aqui sem se afligir muito! Que se passa agora com os cristãos? Será que sempre os que mais Vos devem mais Vos afligem? Aqueles a quem concedeis mais graças, a quem escolheis para Vossos amigos, entre os quais andais e com os quais Vos comunicais mediante os sacramentos? Não estão satisfeitos com os tormentos que por eles padecestes?

É certo Senhor meu, que nada faz quem agora se afasta do mundo sendo vós tratado nele com tão pouco respeito, que esperamos nós? Por acaso merecemos ser tratados melhor? Porventura fizemos mais por eles para que nos tenham amizade? Que é isso? Que mais esperamos nós, que, pela bondade do Senhor, não estamos contaminados por essa sarna pestilencial, se esses inimigos já pertencem ao demônio? Bom castigo obtiveram com suas próprias mãos, tendo merecido, com seus deleites, o fogo eterno. Que eles mesmos escapem dos perigos em que se puseram, embora não deixe de me partir o coração ver como se perdem tantas almas. Mas, para que o mal não seja tão grande, seria bom que não se perdessem mais almas a cada dia.

Ó irmãs em Cristo! Ajudai-me a suplicar isso ao Senhor, pois foi com esse fim que Ele vos reuniu aqui. Essa é a vossa vocação; esses devem ser os vossos cuidados e os vossos desejos; empregai aqui as vossas lágrimas e para isso dirigi vossos pedidos. Não cuideis, pois, irmãs minhas, dos negócios do mundo, que desdenho e diante dos quais até me aflijo, nem das coisas coisas que às vezes nos encarregam de suplicar a Deus: rendas e dinheiro. E esses pedidos muitas vezes vêm de pessoas que, a meu ver, deveriam implorar a Deus graças para desprezar tudo isso. Elas têm boa intenção e, vendo sua confiança, condescendemos; mas tenho para mim que, nessas coisas, o Senhor nunca me ouve.

O mundo está sendo tomado pelo fogo; querem voltar a condenar a Cristo, como se diz, pois se levantam mil testemunhos falsos, pretendendo derrubar a Sua Igreja. E vamos perder o tempo em súplicas que, se fossem ouvidas por Deus, talvez levassem a se perder mais uma alma no céu? Não, minhas irmãs; não é hora de tratar com Deus de coisas pouco importantes.

Com certeza, se não levasse em contra a fraqueza humana, que se compraz em ser ajudada em tudo (e bom seria se valêssemos algo), eu me regozijaria que se entendesse que não são essas as coisas a serem pedidas a Deus com tanto empenho.

Caminhos da perfeição – Santa Teresa de Ávila

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Uma rainha e Santa georgiana “vive” no convento da graça

A vida de uma das santas mais veneradas da Geórgia cruzou-se com a de missionários portugueses há vários séculos e a sua história acabou representada num painel de azulejos que está hoje numa parede do Convento da Graça, em Lisboa.
Segundo a imprensa georgiana, as autoridades locais já ofereçam cerca de dez mil euros pelo painel, que “vive” meio escondido por armários numa sala que funciona como infantário.
Entre os reis e rainhas georgianos, Santa Ketevan é uma das mais veneradas pela Igreja Ortodoxa da Geórgia, por ter sacrificado a vida em prol da fé cristã e da independência do seu país.
Ketevan reinou na Kakhétia, estado feudal situado no Este da Geórgia, no início do séc. XVII, e foi vítima de uma das tentativas de Abbas I, xã da Pérsia, de conquistar a Geórgia e converter o seu povo ao Islão.
Os georgianos, tal como os arménios, são dois povos do Cáucaso que adoptaram o Cristianismo como religião oficial quase ao mesmo tempo que o imperador romano Constantino.
Esposa do rei David, Ketevan passou a estar à frente do reino depois da morte do marido. O seu cunhado Constantino, que entrou na história com o cognome de Maldito, converteu-se ao Islão em 1605, assassinou o seu próprio pai, Alexandre II, e o irmão Georgui e tentou obrigar a rainha Ketevan a casar com ele.
Ketevan reuniu as suas tropas e derrotou o cunhado, que era apoiado pelos persas. Porém, o xã Abbas I fez refém o filho da rainha, o príncipe Teimuraz, que, não obstante todas as ameaças e promessas, não aceitou converter-se ao Islão. O senhor da Pérsia acabou por o libertar, mas prometeu transformar a Geórgia em ruínas.
A fim de impedir a desgraça, a rainha, juntamente com dois netos, foi entregar-se como refém a Abbas, que a encerrou dez anos na prisão. O xã chegou a prometer fazer dela rainha da Pérsia caso se convertesse ao Islão, o que ela recusou. A 22 de Setembro de 1624, depois de ser sujeita a torturas, a rainha georgiana foi queimada.
Segundo uma biografia de Ketavan, dois missionários agostinhos portugueses, Ambrósio dos Anjos e Pedro dos Santos, que tinham assistido ao suplício da mártir, “ofereceram ao xã 120 mil rublos em troco do corpo da mártir, mas ele não os quis sequer ouvir. Depois de longas buscas, encontraram a sepultura, encomendaram secretamente um caixão, onde depositaram o santo corpo”.
Três anos depois, os missionários portugueses conseguiram retirar os restos mortais da Pérsia. Parte dos restos mortais da santa georgiana foram depositados na Igreja de Santo Agostinho de Goa.
Arqueólogos indianos e georgianos descobriram esses restos mortais em Novembro de 2006. Outra parte foi enviada pelos padres portugueses a Teimuraz I, filho de Ketevan, a fim de o convencer a permitir a actividade missionária católica no seu país. Dessa forma, Ketevan acabou por ser importante para a entrada de missionários portugueses no Oriente. Uma terceira parte foi sepultada na Basílica de São Pedro, em Roma. A Igreja Ortodoxa da Geórgia canonizou Ketevan, sendo a festa da santa realizada a 22 de Setembro.
Segundo a lenda, o painel de azulejos que representa o martírio de Ketavan e se encontra no Convento da Graça, em Lisboa, foi pintado em conformidade com o relato do padre Ambrósio dos Anjos.
A imprensa georgiana escreve que o painel de azulejos necessita de obras de restauro e que as autoridades de Tbilissi já demonstraram o interesse à Igreja Católica Portuguesa em adquirir essa obra por cerca de dez mil euros.
Fonte da paróquia da Graça disse à Lusa desconhecer qualquer proposta para a aquisição do painel.
Retirado do Blog Da Rússia

Anjos são enviados de Deus para proteger aos homens, lembra o Papa

Retirado de Acidigital

Ao celebrar-se hoje a festa dos Santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, o Santo Padre convidou a “invocar com confiança sua ajuda, assim como a proteção dos anjos custódios, cuja festa celebraremos em 2 de outubro”.

Deste modo sublinhou que “a presença invisível destes espíritos bem-aventurados nos ajuda e consola: eles caminham a nosso lado e nos protegem em toda circunstância, defendem-nos dos perigos e podemos recorrer a eles em todo momento”.

O desapego

O desapego, como sabemos dos livros espirituais é uma grande e rara virtude cristã. Um grande santo, S. Filipe Neri, disse que, se tivesse uma dúzia de homens realmente desapegados, ele seria capaz de converter o mundo. Ser desapegado é ser desligado de todo laço que prende a alma à terra, é não depender de nada abaixo do céu, não se inclinar a nada temporal. É simplesmente não se importar pelo que outras pessoas procuram pensar ou dizer de nós ou nos fazer; cumprir a nossa tarefa porque é nosso dever, como os soldados vão à batalha, sem cuidar das consequências; considerar um puro nada o crédito, a honra, o nome, as circunstâncias fáceis, o conforto, os afetos humanos, se qualquer obrigação religiosa envolver o sacrifício dessas coisas. É sermos despreendidos de todos os bens da vida nessas ocasiões do mesmo modo como, em circunstâncias ordinárias, somos pródigos e liberais, por exemplo, no uso da água, ou fazemos presente de nossas palavras sem regateios a amigos ou a estranhos, ou afugentamos vespas, moscas e mosquitos que nos incomodam, sem dar sinal de irritação, sem hesitar, e com a maior naturalidade.

(Cardeal Newman)

Reflexão

Honrar a Mãe é honrar o Filho. Seguir Maria, a cheia de graça, é encontrar Jesus. O convite que faz para todo Cristão é sempre: fazei tudo o que ele vos disser (Jo 2,5)

(Cardeal Newman)

O ano de1370 e a morte mística de Santa Catarina de Sena

Neste ano deu-se um fato místico que mudou a vida de Catarina: sua “morte mística”. Conforme nos conta B. Raimundo de Cápua, seu confessor e primeiro biógrafo, num êxtase Catarina morreu e ouviu as seguintes palavras de Deus: “A salvação dos homens exige que tu voltes à vida. Mas não viverás mais como até agora. O pequeno quarto não será mais tua costumeira moradia; pelo contrário, para a salvação das almas deverá sair de tua cidade. Estarei sempre contigo na ida e na volta. Levarás o louvor do meu nome e a minha mensagem a pequenos e grandes, a leigos, clérigos e religiosos. Colocarei em tua boca uma sabedoria, à qual ninguém poderá resistir. Conduzir-te-ei diante de papas, de bispos e de governantes do povo cristão a fim de que por meio dos fracos, como é do meu feitio, eu humilhe a soberba dos fortes”

O diálogo – Edições Paulinas

Cardela Newman

Cardela Newman

Trecho do livro Pro Vita Sua do Cardeal Newman. Converso do Anglicanismo ao Catolicismo.

“Desde o momento em que passei a ser católico, é claro que não há mais história das minhas convicções religiosas para narrar. Não quero dizer com isto que o meu espírito ficasse ocioso, ou que desistisse de pensar em assuntos teológicos; mas, sim, que não tenho mudanças a registrar em que, no meu coração, não tem havido qualquer inquietação. Uma paz e satisfação completas têm-me inundado; nunca tive uma dúvida. Não tive consciência de, com a minha conversão, se ter dado no meu espírito qualquer mudança, intelectual ou moral. Não me dei conta de uma fé mais firme nas verdades fundamentais de revelação, de um maior autodomínio, nem de um maior fervor; mas era como se regressasse ao porto depois de um mar revolto; e a minha felicidade sob esse aspecto continuou até hoje, sem interrupção”.