Por que não expulsam o demônio?

Trechos do livro Novos relatos de um Exorcista do Padre Gabriele Amorth

Há alguma décadas – não sei bem quantas – o exorcismo foi quase extinto no mundo católico, ao contrário do que vem acontecendo com algumas confissões da reforma protestante. Julgo que não ofendo os bispos, se constatar um dado de fato: a quase totalidade do episcopado católico nunca fez exorcismo e nunca assistiu a exorcismos. Por isso, torna-se ainda mais difícil acreditar em fenômenos que nem nós, exorcistas, acreditaríamos, se nunca os tivéssemos visto.

É verdade que a sagrada Escritura é muito clara neste terreno; é a prática e o ensino de toda a história eclesiástica; há as disposições do Direito Canônico. Mas, contra a prática do passado e contra o ensino da Igreja, levantou-se o muro do não exercício do exorcismo. E, contra os ensinamentos da Sagrada Escritura, tem sido erguido o muro do silêncio ou, pior ainda, a interpretação errada por parte de certos teólogos e de certos estudiosos.

O clero em geral deveria ser mais instruído sobre este assunto estudando três partes da teologia.

A teologia dogmática, quando fala de Deus criador, deveria tratar também da existência dos anjos, da existência dos demônios e de tudo que a Sagrada Escritura e o ensino da Igreja nos dizem a respeito.

A teologia espiritual trata não somente da atividade ordinária do demônio (as tentações), mas também da sua atividade extraordinária, que compreende todos os malefícios, até chegar à possessão diabólica. Ensinam também os remédios, inclusive os exorcismos. Veja, por exemplo, os conhecidíssimos tratados, ainda válidos de Tanquerey e Royo Marin. A falta de estudo da teologia espiritual, que se prolonga já há muitos decênios, causou também uma grande perda da direção espiritual, propriamente dita.

A teologia moral deveria ensinar também, sobre todos os pecados contra o primeiro mandamento, entre os quais está o da superstição; deveria iluminar os fiéis sobre aquilo que está conforme à vontade de Deus e sobre o que lhe é contrário, como a magia, a necromancia, etc.

A Sagrada Escritura é muito clara sobre estes aspecto e usa palavras duríssimas contra esses pecados. Pense também na lista apresentada pelo Deuteronômio, em que tais práticas são severamente condenadas: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou à invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas práticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações” (Dt 18,10-12). Hoje, há muitos moralistas que não sabem distinguir o bem do mal; já não ensinam o que é pecado mortal e o que não é; por isso, os fiéis nunca mais ouviram falar de tais proibições. Basta ler os últimos dicionários de teologia moral, no tópico suspertição: já não se encontra nada esclarecido.

Perguntei a muitos sacerdotes, de várias idades, se e como se aprofundaram nestes assuntos, nos três tratados de teologia que nomeei; responderam-me que nunca tinham ouvido falar destas coisas. Para preencher tão grave lacuna, é preciso reformular os programas de estudos nos seminários e nas universidades católicas

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