Servo dos Servos de Deus

Entradas etiquetadas como ‘Oração’

Oração de Santa Catarina de Sena

Setembro 22, 2008 · 2 Comentários

AUXÍLIOS DIVINOS PARA A REFORMA DA IGREJA (VII – A fortaleza da alma)

1. Mil auxílios da Providência

Confesso, Deus eterno; confesso, eterno Deus, alta e eterna Trindade (1). Tu me olhas e conheces! Entendi isso na tua luz. Confesso, eterno Deus: sei quais são as necessidades da tua dulcíssima Esposa, a Igreja; conheço a boa vontade do teu Representante (2). Mas quem o impede de realizá-la? Vi na tua luz que conheces tudo isso, pois nada está oculto ao teu olhar.

Na tua luz eu vejo que providenciaste a medicina para a Humanidade morta, no Verbo, teu Filho unigênito. Outro medicamento, que providenciaste para tal morto, foi conservar as cicatrizes no corpo (ressuscitado) de Cristo, para que implorassem misericórdia junto de Ti. Na tua luz eu vi que as conservastes num arroubo de amor. Tanto as cicatrizes como a cor do sangue continuam sem contradição no seu corpo.

Em Ti mesmo viste que, após a cura da enfermidade (humana), os homens iriam continuar a cair diariamente nos seus pecados. Por isso, deixaste o sacramento da Penitência. Nele, o sacerdote derrama o sangue do Cordeiro na face da alma.

Puseste o Filho como principal medicina para reconciliar-nos contigo e ainda esses outros meios, necessários para a salvação. Na tua luz, eu sei que conhecestes tudo isso com antecedência. Em tal luz eu vejo; sem ela, andaria nas trevas.

Amor dulcíssimo! Viste as necessidades da santa Igreja e o medicamento de que precisava. Para isso providenciaste a oração dos teus servidores. Queres que eles construam um muro, no qual se apóiem as paredes da santa Igreja, e neles a clemência do Espírito Santo acende inflamados desejos de reforma.

Viste (no homem decaído) a lei perversa, sempre pronta a rebelar-se contra a tua vontade. Sabias que muitos de nós iríamos seguir. Conheces a fraqueza da nossa natureza, quanto ela é débil, frágil, mísera. Por isso, ó Provedor dos homens, providenciaste o remédio, dando-nos o rochedo fortificado da vontade. A fraqueza da carne nos acompanha, mas a vontade é tão firme que demônio ou criatura alguma é capaz de vencê-la, contra nosso querer, isto é, sem o consentimento do livre-arbítrio, que defende aquela fortaleza.

Donde provém, Bondade infinita, essa firmeza da vontade? De Ti que és a suprema e eterna força. Vejo que nossa vontade participa da fortaleza da tua vontade, pois dela procede. Nossa vontade tanto é firme quanto segue a tua; tanto é fraca quanto dela se afasta. Tua vontade criou a nossa; permanecendo unida à tua, nossa vontade é firme.

Tudo isso eu vi na tua luz! Ó Pai eterno, em nossa vontade revelas a firmeza da tua; mas se tornaste forte uma realidade tão pequenina, quão grande pensaremos tua vontade, pois és o Criador e Regedor de todas as coisas.

Outra coisa vejo na tua luz: parece-me que a vontade, que recebemos de Ti livre, é fortalecida pela iluminação da fé, na qual conhecemos teu querer eterno, que nada mais deseja que a nossa santificação. Conforme aumenta a iluminação, firma-se a vontade na prática das ações. Seja a vontade reta, como a fé viva, não podem ficar sem as obras. A iluminação da fé nutre e dá crescimento à chama (do amor) na alma. Esta nunca experimentaria o fogo do teu amor se a fé não lhe revelasse teu amor e estima por nós. Ó luz da fé!  Tu és a lenha que incendeia o amor da alma. Como a lenha faz crescer a chama natural, tu aumentas a caridade no homem. Revelas a ele a bondade divina e o amor da alma aumenta, pelo desej ode conhecer a Deus, anseio que ajudas a realizar.

Provedor boníssimo! Não quisestes que o homem vivesse nas trevas e na guerra; deste-lhe, então, a luz da fé. Ela nos indica o caminho e nos dá paz e quietude. A fé não deixa a alma morrer de fome, viver nua e pobre. Pelo contrário, alimenta-a com a graça, faz saborear no amor o Alimento (eucarístico), veste-a com a roupa nupcial da caridade e do teu querer, revela-lhe os tesouros eternos.

Pequei, Senhor, tem compaixão de mim! As trevas da lei perverssa, que sempre segui, ofuscou minha inteligência. Por isso não Te conheci, ó verdadeira luz! Mas mesmo assim, agradou à tua caridade iluminar-me.

2. Súplica pelo papa e pelos discípulos

Ó Deus eterno, Amor sem preço! Pela criação, estás mutuamente amalgamado com o homem pela força da vontade, pela chama (de amor) com que o criaste, pela iluminação natural que lhe deste. Mediante eal iluminação, o homem Te conhece e age desejoso das virtudes reais e verdadeiras, para a glória e louvor do teu nome. Tu és aquele que é; os demais seres, deixando de lado o que lhes deste, nada são.

Ó minha alma, cega, mísera! És indigna de formar com os demais servidores de Deus um muro para sustentar a santa Igreja. Mereces estar no estômago de um animal, pois tuas ações foram sempre animalescas.

Deus eterno! Agradeço-Te, agradeço-Te, agradeço-Te porque me escolheste para tal trabalho, não obstante minhas iniquidades. Suplico, então: já que pões na mente dos teus servidores anseios e inflamados desejos de reformar tua Esposa, e os levas a clamar em contínua oração, escuta seu clamor. Conserva e aperfeiçoa a boa vontade do teu Representante. Seja ele perfeito, na medida que lhe pedes. O mesmo eu peço para todos os homens. De modo especial para aqueles que colocaste sobre os meus ombros. Fraca e incapaz, eu os entrego a Ti. Não quero que meus pecados os prejudiquem, pois sempre segui a perversa lei. Desejo e rogo que eles Te sigam na perfeição; mereçam ser atendidos nas preces que fazem, e devem fazer, pelo mundo inteiro e pela santa Igreja.

Pequei Senhor, tem compaixão de mim!

(1) Catarina recitou esta oração no dia 20 de fevereiro de 1379

(2) O papa Urbano VI

As orações – Santa Catarina de Sena – Editora Paulus

Categorias: Orações de Santa Catarina de Sena
Etiquetado: , ,

São Francisco Xavier – MODO DE REZAR E SALVAR A ALMA

Setembro 13, 2008 · Deixe um comentário

[Ordem e regimento que o bom cristão deve ter todos os dias, para se encomendar a Deus e salvar sua alma]

Goa, entre Junho e Agosto de 1548

Cópia em português, feita em 1614

São Francisco Xavier

São Francisco Xavier

Ordem que se terá, ao alevantar da cama

1. Primeiramente, acordando logo pela manhã, todo fiel cristão fará três coisas, as quais aprazem a Deus, sobre todas as coisas: a primeira é confessar a Santíssima Trindade, três pessoas e um só Deus, a qual somente os cristãos bem e verdadeiramente confessam, quando se benzem dizendo: Em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo.

2. A segunda coisa é confessar Jesus Cristo, Filho de Deus verdadeiro, dizendo o Credo, e crendo-o bem e verdadeiramente sem dúvidar, no qual se encerra toda nossa fé católica, o qual é o seguinte:Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador dos céus e da terra; Creio em Jesus Cristo, seu Filho, um só Nosso Senhor; Creio que foi concebido do Espírito Santo e nasceu da Virgem Maria; Creio que padeceu sob poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; creio que desceu aos infernos, e, ao terceiro ressurgiu dos mortos; que subiu aos céus, está acentado à mão direita de Deus Pai todo poderoso; creio que dos céus há-de vir a julgar os vivos e os mortos; creio em um Espírito Santo; creio a Santa Igreja católica; creio o ajuntamento dos santos e a remissão dos pecados; creio a ressurreição da carne; creio a vida eterna. Amém, Jesus.

Protestação de Fé

3. Verdadeiro Deus eu confesso de vontade e coração, como bom e leal cristão, a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas e um só Deus. Eu creio firmemente, sem dúvidar, tudo o que crê e tem a Santa Madre Igreja de Roma. Eu prometo como fiel Cristão, de viver e morrer em a santa fé católica de meu senhor Jesus Cristo. E quando à hora minha morte, não puder falar, agora, para quando eu morrer confesso a meu Senhor Jesus Cristo por Unigênito Filho de Deus, com todo o meu coração.

4. A terceira coisa é pedir graça ao Senhor Deus, para guardar dos 10 Mandamentos de sua santíssima lei, pois nenhuma pessoa se pode salvar sem os guardar – os quais se hão – de dizer pela manhã e, para cada um deles pedir graças ao senhor Deus para naquele dia e em todos os outros dias de sua vida, os cumprir e guardar como ele manda, pela maneira seguinte:

5. Os mandamentos da lei do Senhor Deus são 10, scilicet:  o primeiro é amar a Deus sobre todas as coisas; o segundo não jurarás seu santo nome em vão; o terceiro guardarás domingos e festas; o quarto honrarás o teu pai e a tua mãe e viverás muitos anos; o quinto não matáras; o sexto não fornicarás; o sétimo não furtarás; o oitavo não levantaras falso testemunho; o nono não desejaras a mulher do teu próximo; o décimo não cobiçaras as coisas alheias.

6. Diz Deus: os que guardarem estes 10 Mandamentos irão ao paraíso. Diz Deus: os que não guardarem estes 10 Mandamentos irão ao inferno.

7. Oração: Rogo-vos, meu Senhor Jesus Cristo, que me deis graça, hoje neste dia e em todo o tempo da minha vida, para guardar estes 10 Mandamentos.

8. Oração: Rogo-vos, minha Senhora Santa Maria, que queiras por mim rogar ao vosso bento Filho, Jesus Cristo, que me dê graça, hoje neste dia e em todo o tempo de minha vida, para guardar estes 10 mandamentos.

9. Oração: Rogo-vos, meu senhor Jesus Cristo, que me perdoeis os pecados, que eu fiz hoje neste dia e em todo o tempo de minha vida em não guardar estes 10 Mandamentos.

10. Oração: Rogo-vos, minha senhora Santa Maria, Rainha dos anjos, que me alcanceis perdão, do vosso bento Filho Jesus Cristo, dos pecados que eu fiz hoje neste dia e em todo tempo de minha vida, em não guardar estes 10 mandamentos.

11. Acabada esta oração, dirá o Pai nosso e a Ave Maria e ao mesmo fará em cada um dos dez mandamentos por si: para que melhor se lembre; e para propor e procurar de guardar os mandamentos e se desacostumar de pecar nos mandamentos que não guarda; e para que pecando algum deles, conheça mais depressa o mal que faz e se arrenda mais cedo dos pecados que por costume comete.

E naquele mandamento em que mais compreendido se achar, pecando por mal costume, pedirá com grande dor e arrependimento de seus pecados, graça ao senhor Deus para, naquele dia e em todos os de sua vida o guardar. E trabalhara muito pela salvação de sua alma guardando os dez mandamentos, e porá todas as suas forças em se desacostumar de pecar neles, dizendo assim;

12. Eu creio, verdadeiramente que se a morte me tomar nalgum pecado, contra algum deste 10 Mandamentos que minha alma sera condenada às penas do inferno, sem nenhuma redenção. E também creio verdadeiramente que se a morte me tomar fora de pecado mortal e depois de me desacostumar de pecar contra os dez mandamentos contra os quais por mal costume peco, que o senhor Deus haverá misericórdia de minha alma por muito pecador que eu fosse, e me dará a salvação perpétua, que é agora do paraíso, fazendo primeiro penitência de meus pecados ou nesta vida ou no purgatório.

Ordem que se terá à noite, para pedir perdão dos pecados a Deus nosso Senhor

13. Guardara o fiel Cristão quando quiser dormir tudo o que acima esta dito, examinando sua consciência dos pecados que naquele dia cometeu; propondo com a graça do Senhor a emenda deles; tendo propósito de se confessar a seu tempo. E porquanto o sono e a imagem da morte e muitos, que se deitara a dormir bem dispostos amanhecem mortos, direi, com grande arrependimento de meus pecados, a confissão geral e me encomendarei ao Santo anjo da guarda. Direi desta maneira:

14. Eu, pecador muito errado me confesso ao senhor Deus e a Santa Maria e a São Miguel, o anjo e a São João Batista, e a São Pedro e a São Paulo e a São Tomé, e a todos os Santos e Santas da corte do céu, e a voz, padre, digo minha culpa que pequei grandemente por pensamento e por fala e por obra, do muito bem que pudera fazer e não o fiz, e do muito mal de que me pudera apartar e não me apartei. De tudo me arrependo, digo a Deus minha culpa, Senhor, minha culpa, minha grande culpa. Peço e rogo à minha Senhora Santa Maria e todos os santos e santas, que queiram por mim rogar a meu senhor Jesus Cristo que me queira perdoar dos meus pecados presentes, passados, confessados, esquecidos e que, daqui por diante, me de a sua graça, me guarde de pecar e me leve a gozar da glória do paraiso. Amém, Jesus.

15. Ó anjo de Deus que és minha guarda, pela piedade suprema a mim, a ti cometido, salva, defende e governa. Amem, Jesus

16. Rogo-te, Anjo bento, a cuja providência eu sou encomendado, que sempre sejas presente, em minha ajuda. Ante Deus Nosso Senhor, apresenta os meus rogos a suas mui piedosas orelhas, para que, por usa misericórdia e tuas preces, me dê perdão de meus pecados passados e verdadeiro conhecimento e contrição dos presentes, e aviso para evitar os pecados vindouros, e me dê graça para bem obrar e até ao fim perseverar. Afasta de mim, pela virtude de Deus todo-poderoso, toda a tentação de Satanás. E, o que não mereço por minhas obras, tu alcança por teus rogos por mim, ante Nosso Senhor, que em mim não haja lugar e mistura de alguma maldade. E se, algumas vezes, me vires errar o bom caminho e seguir os errores do pecado, tu provura de me volver a meu Salvador, pelas carreiras da justiça. E quando me vires em alguma tribulação e angústia, faz que me venha adjutório de Deus, por teus doces socorros.

Rogo-te que nunca me desampares, mas sempre me cubras e visites e ajudes e defendas de toda a fadiga e guerra dos demônios, vigiando de dia e de noite, em todas as horas e momentos. Onde quer que andar, guarda-me e acompanha-me. Isso mesmo e peço, meu guardador, que quando desta vida partir, não deixes que me espantem os demônios, nem me deixes cair em desesperação, nem me desampares, até me levar à bem-aventurada vista de Deus Nosso Senhor, onde eu, contigo e com a bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, e com todos os santos, para sempre folguemos em a glória do paraíso, que nos dará Jesus Cristo Nosso Senhor, o qual com o Pai e com o Espírito Santo, vive e reina para sempre Amem.

Oração a Deus Nosso Senhor, à Virgem Senhora Nossa e a S. Miguel

17. Ó meu Deus poderoso e Pai piedoso da minha alma, Criador de todas as coisas do mundo, em vós, meu Deus e Senhor, pois sois todo meu bem, creio firmemente, sem poder duvidar, que me hei-de salvar, pelos méritos infinitos da morte e Paixão de meu Senhor Jesus Cristo, ainda que os pecados de quando era pequeno sejam muito grandes, com todos os demais que tenho feitos. Vós, Senhor, me criastes e destes alma e corpo e quanto tenho. E vós, meu Deus, me fizestes à vossa semelhança, e não os falsos pagodes, que são deuses dos gentios, em figuras de bestas e alimárias do diabo. Eu arrenego de todos os pagodes e feiticeiros e adivinhadores, pois são cativos e amigos do diabo. Ó gentios, que cegueira e pecado é o vosso tão grande, que fazeis a Deus besta e alimária, pois o adorais em suas figuras! Ó cristãos, dêmos graças e louvores a Deus trino e uno, que nos deu a conhecer a fé e lei verdadeira de seu Filho Jesus Cristo.

18. Ó senhora Santa Maria, esperança dos cristãos, rainha dos anjos e de todos os santos e santas que estão com Deus Nosso Senhor no céu, a vós, Senhora, e a todos os santos, me encomendo agora para a hora da minha morte, que me guardeis do mundo e carne e diabo, que são meus inimigos, desejosos de levar a minha alma ao inferno.

19. Ó Senhor São Miguel, defendei-me do diabo, à hora da minha morte, quando estiver dando conta a Deus de toda minha vida passada.

20. Pesai, Senhor, os meus pecados com os méritos da morte e Paixão de meu Senhor Jesus Cristo e não com os meus poucos merecimentos: assim serei livre do poder do inimigo e irei gozar, para sempre, da glória do paraíso. Amem, Jesus.

Que coisa é pecado venial e por quantas coisas se perdoa. Que coisa é pecado mortal e como se perdoa.

21. Pecado venial não é outra coisa senão uma disposição de pecado mortal, e chama-se pecado venial porque levemente se há perdão dele. Perdoa-se por nove coisas: a primeira é por ouvir Missa; a segunda, por comungar; a terceira, pro benção episcopal; a quarta, por confissão geral; a quinta, por água benta; a sexta, por pão-bento; a sétima,, por bater no peito; a oitava, por dizer a oraçãop do pater noster, devotamente; a nona, por ouvir a pregação. Tudo isto com arrependimento.

22. Pecado mortal é querer, ou dizer, ou fazer alguma coisa contra a lei de Deus ou deixar de fazer o que manda. E chama-se mortal, porque mata o corpo e alma eternamente daquele que, sem dele [sendo mortal] fazer Penitência, faleceu. Pelo pecado mortal, perde o homem a Deus, que o criou, e perde a glória que lhe prometeu, e perde o corpo e a alma que lhe remiu, e perde os merecimentos e benefícios da Santa Madre Igreja, e perde mais os bens que faz em pecado mortal, porque não prestam para sua salvação, posto que aproveitem para o acrescentamento da saúde e bens temporais e para diminuir nas penas e para vir em conhecimento do pecado em que está, para sair dele. Porque, se o pecador se arrepende do pecado com propósito de não pecar, e se confessar ao tempo que manda a Igreja, este já está em verdadeira penitência e é capaz dos merecimentos e indulgências da Igreja, e os bens que fizer lhe aproveitam para tudo.

O pecado mortal se perdoa por quatro coisas: a primeira é por contrição; a segunda, por confissão de boca, com contrição, ao próprio sacerdote; a terceira, por satisfação de obra com contrição; a quarta, por propósito de não tornar mais a pecar, com contrição.

Oração da Vera Cruz

23. Ó cruz bem-aventurada, que foste consagrada com o corpo de meu Senhor Jesus Cristo, e foste esmaltada de seu precioso sangue, peço-te, Senhor Jesus Cristo misericordioso, por virtude da tua morte e Paixão, que naquela sacratíssima cruz padeceste, me queiras perdoar meus pecados, assim como perdoaste o ladrão, estando tu, benigno Senhor, crucificado nela, e me dês vencimento contra meus contrários, e os meus inimigos queiras trazer a verdadeiro conhecimento que se arrependam. Amem, Jesus.

Como hão-de estar os meninos e meninas ao ouvir a Missa

24. Sejam os meninos e as meninas ensinados como hão-de estar calados, na igreja. À confissão, estejam de joelhos; e à gloria in excelsis, estejam em pé; e logo à oração, em joelhos, afora entre Páscoa e natal; à epistola, estejam sentados; e ao evangelho, em pé, com grande reverência; e ao Credo, e dizendo Homo factus est, ponham os joelhos no chão. Ao prefácio, estejam em pé; e, depois do sanctus, em joelhos até ao cabo da Missa e tomar a bênção do sacerdote.

25. Também lhes ensinem pela manhã, antes que outra coisa façam, alguma devoção de algumas aves-marias e pater noster e Credo. Ao menos, três aves-marias em joelho: a primeira, à fé com que Nossa Senhora concebeu o Filho de Deus; a segunda, à dor quando o viu expiar na cruz; a terceira, ao prazer da ressurreição. Outro tanto à noite, antes que se deitem. E também ao meio-dia rezem alguma coisa, em memória da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

26. Oração à hóstia: Adoro-te, meu Senhor Jesus Cristo, e bendigo a ti, que pela tua santa cruz remiste o mundo e a mim. Amém, Jesus.

27. Oração ao cálix: Adoro-te, sangue de meu Senhor Jesus Cristo, o qual foi derramado na cruz, para salvar os pecadores e a mim Amem, Jesus.

Lembranças do B. P. Francisco feitas aos que se desejam salvar

28. Lembre-se todo o pecador que há muito grande diferença de pecar mortalmente, por costume, e pecar acidentalmente e não por costume. Saiba certo que é necessário deixarem os homens os pecados de costume, na vida, e não aguardarem para os deixarem à hora da morte, porque, aguardando a tal tempo, os pecados deixam aos pecadores e não os pecadores aos pecados; e, nestes tais pecadores, a justiça de Deus se manifesta, quando morrem, ficando condenados para as penas do inferno. Mas em os que acidentalmente e não por costume pecam, trabalhando de guardar os mandamentos, usa Deus de sua misericórdia com eles, à hora de sua morte.

29. Todas as orações, esmolas e benfeitorias, e trabalhos ordenados, e enfermidades sofridas com paciência, e as obras de misericórdia que cumprir, e todos os outros bens que fizer, serão ordenados a este fim, rogando ao Senhor Deus lhe dê graça: para se desacostumar de pecar contra os dez Mandamentos, nos quais por mau costume peca, pois para salvação da minha alma me é tão necessário desacostumar-me de pecar, porquanto os pecados de costume são os que levam os homens ao inferno.

30. Lembre-se todo o cristão da continua memória da morte e da brevidade dela, e da conta tão estreita que a Deus há-de dar de toda sua vida passada, quando morrer; e a lembrança do dia do juízo universal, quando todos, em corpo e alma, ressurgirmos; e das penas perpétuas do inferno, que nunca têm fim; e a lembrança da glória do paraíso, para a qual fomos criados. Todas estas coisas cuidadas, cada dia me ajudarão muito para me dispor a fazer agora o que à hora da minha morte queria ter feito, para ir à glória do paraíso.

Todo fiel cristão, que esta regimento guardar, ganhará nesta vida, com a graça do Senhor, a glória do paraíso.

Obras Completas – Edições Loyola

Categorias: São Francisco Xavier
Etiquetado: , ,

A missão de Cristo da Igreja e do Papa

Setembro 9, 2008 · Deixe um comentário

Esta oração foi recitada por Santa Catarina de Sena em Avinhão, no dia 14 de agosto de 1376. Na ocasião, como embaixatriz de Florença, procurou obter do papa Gregório XI (1370 – 1378) o perdão para o interdito decretado contra aquela cidade. Também aconselhou ao papa que voltasse para Roma e procurou incentivar a realização de uma Cruzada para unir os príncipes cristãos da Europa.

Criação queda e redenção do homem

Ó Deidade, Deidade, inefável Deidade! Ó bondade suprema! Unicamente por amor, nos fizestes à tua imagem e semelhança. Ao criar o homem, não disseste “Faça-se”, como ocorrera com as demais criaturas, mas”Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn1,26) para que, Amor inefável, toda a Trindade concordasse. A memória é figura de Ti, Pai eterno: como reténs e conservas todas as coisas, deste a memória ao homem, a fim de que ele retivesse e conservasse tudo aquilo que a inteligência vê, entende e conhece da tua bondade infinita; com isso o homem participa da sabedoria do teu Filho unigênito. Deste ao homem a vontade, como figura da clemência do Espírito Santo; qual mão poderosa do teu amor, ela se ergue para apanhar tudo quanto a inteligência conhece do teu Ser inefável, Assim, estando a vontade cheia do teu amor, o mesmo acontece com a memória. Gratidão, gratidão a Ti, excelsa e eterna Deidade, pelo amor revelado ao concederes tal semelhança à alma: inteligência para conhecer, memória para reter e conservar, vontade para possuir-Te acima de tudo. Ó bondade infinita, como é racional que, ao Te conhecer, o homem Te ame. Ame com um amor tão vigoroso, que demônio ou criatura alguma possa destruir, sem o consentimento da vontade. E envergonhe-se a pessoa que, conhecendo teu amor, não Te ama.

Ó Deidade eterna, amor sem preço! Após cairmos no horror do pecado, quando nosso pai Adão, por maldade e fraqueza Te desobedeceu, Tu, ó Pai, com amor e compaixão olhaste para nós, míseros infelizes, e enviaste o teu Filho unigênito, Palavra encarnada e revestida de nossa condição mortal.

E Tu, Jesus, nosso reconciliador, restaurador e redentor, Te tornaste mediador, palavra e amor. Da grande guerra, que o homem mantinha contra o Pai, fizeste uma imensa paz. Puniste em teu corpo nossa maldade e a desobediência de Adão, fazendo-Te obediente até a vergonhosa morte na cruz. Bondoso e amoroso Jesus! Com um único golpe deste reparação à injúria feita ao Pai e ao nosso pecado, pois tomaste sobre Ti a vingança da ofensa ao Pai.

Pequei, Senhor, tem compaixão de mim!

Louvores a Jesus Cristo e a Deus Pai

Para qualquer lado me volte, só encontro um grande amor. Impossível achar desculpas para não amar porque Tu, Homem-Deus, me amaste antes que eu Te amasse. Eu não existia, e me criaste. Em Ti encontro tudo quanto desejo. Tudo encontro em Ti, menos o pecado. Sendo uma privação, o pecado não existe em Ti, nem é digno de ser amado. Se desejamos amar a Deus, em Ti achamos a inefável Deidade; se queremos amar o homem, és o homem posso conhecer a Pureza sem preço. Se desejo amar um senhor, és o Senhor e com teu sangue pagaste o preço da nossa escravidão ao pecado.

Ó Deus eterno, por tua bondade e imenso amor és nosso Senhor, Pai e irmão. O Verbo, teu Filho, conhecendo e cumprindo tua vontade, queis derramar seu sangue no salutífero madeiro da cruz em favor da nossa miséria.

Ó Deidade, és a suprema sabedoria; e eu, uma criatura ignorante e pobre; és a suprema e eterna bondade; eu sou a morte, Tu a vida; eu as trevas, Tu a luz; eu a tolice, Tua a sabedoria; Tu o infinito, eu o finito; eu a enferma, Tu o médico; eu, uma frágil pecadora, que jamais Te amou; és a beleza puríssima, eu uma sujíssima criatura. Por inefável amor, Tu me fizeste sair de Ti. Por gratuidade, sem nenhum merecimento. Tu nos atrais sob a condição de que nos deixemos atrair, isto é, que nossa vontade não se oponha à tua.

Ai de mim! Pequei, Senhor, tem compaixão de mim!

Súplica pela Igreja, pelo Papa e oferta como vítima

Ó bondade eterna, não olhes para as misérias, que culposamente cometemos, quando nossas almas se afastam de Ti, que és o nosso Fim. Eu Te peço: por tua infinita misericórdia, olha com clemência e compaixão para tua Esposa (a Igreja). Ilumina o teu Representante (o Papa); que ele não Te ame por causa de si, nem se ame por interesses pessoais. Que Te ame por tua causa; por tua causa se ame. Pois quando ele Te ama e se ama por interesses pessoais, nós perecemos. Nele está a nossa vida. E também a nossa morte, quando não se preocupa em defender as ovelhas que perecem. Se teu Representante amar a si mesmo e Te amar por tua causa, viveremos. Do pastor recebemos o exemplo de vida. Ó Deidade suprema e inefável! Pequei e não sou digna de orar diante de Ti. Mas Tu és poderoso para tornar me digna. Senhor, meu Deus! Castiga, pois, os meus pecados e não leves em consideração minha miséria. Possuo um corpo, que Te dou e ofereço. Eis a carne, eis o sangue. Se for da tua vontade, sejam meus ossos dessangrados, destruídos e separados em prol daqueles pelos quais imploro. Tritura os ossos e sua medula em favor do teu Representante, único esposo da tua Igreja. Por ela, peço que me escutes. Que teu Representante leve em consideração tua vontade, que a ame, a cumpra, a fim de que não pereçamos. Dá-lhe um coração novo, que continuamente cresça na graça. Um coração forte, capaz de empunhar o estandarte da cruz (na Cruzada), para fazer os infiéis (sarracenos) participar dos frutos da Paixaã e do Sangue do teu Filho, Cordeiro sem mancha, Deidade altíssima e inefável.

Pequei, Senhor, tem compaixão de mim!

Tirado do Livro – As orações de Santa Catarina de Sena – Editora Paulus

Categorias: Orações de Santa Catarina de Sena
Etiquetado: , ,