O desapego, como sabemos dos livros espirituais é uma grande e rara virtude cristã. Um grande santo, S. Filipe Neri, disse que, se tivesse uma dúzia de homens realmente desapegados, ele seria capaz de converter o mundo. Ser desapegado é ser desligado de todo laço que prende a alma à terra, é não depender de nada abaixo do céu, não se inclinar a nada temporal. É simplesmente não se importar pelo que outras pessoas procuram pensar ou dizer de nós ou nos fazer; cumprir a nossa tarefa porque é nosso dever, como os soldados vão à batalha, sem cuidar das consequências; considerar um puro nada o crédito, a honra, o nome, as circunstâncias fáceis, o conforto, os afetos humanos, se qualquer obrigação religiosa envolver o sacrifício dessas coisas. É sermos despreendidos de todos os bens da vida nessas ocasiões do mesmo modo como, em circunstâncias ordinárias, somos pródigos e liberais, por exemplo, no uso da água, ou fazemos presente de nossas palavras sem regateios a amigos ou a estranhos, ou afugentamos vespas, moscas e mosquitos que nos incomodam, sem dar sinal de irritação, sem hesitar, e com a maior naturalidade.
(Cardeal Newman)

